Vila Chã de Ourique destaca fontanários na Agenda Cultural

Mesmo prevendo que 2021 não seja muito diferente no que diz respeito a festejos, a Junta de Freguesia de Vila Chã de Ourique manteve a iniciativa de oferecer a todos os seus fregueses a agenda cultural da terra, tal como vem fazendo nos dois últimos anos. A edição deste ano, para além das datas que marcam as tradições e cultura da vila e outras informações, dá destaque à história dos seus fontanários.

“Com a edição da revista, este ano, sem festas, apresentamos aquilo tudo que poderá vir a acontecer, que é tradição naquela altura. Não sabemos se vai acontecer ou não. Ninguém sabe o dia de amanhã”, diz Vasco Casimiro, lembrando que no ano passado ninguém imaginava que a maioria das atividades e festas tradicionais da vila agendadas fossem canceladas, devido à pandemia. A esperança de que este ano se possam realizar os tradicionais eventos de Vila Chã de Ourique é diminuta, o presidente da Junta faz questão de marcar estas datas, preservando a cultura e a memória do povo, para além de dar um apoio às associações da terra: “é uma forma de ajudar as coletividades da terra dando-lhes a oportunidade de desenvolver estas tradições e angariarem fundos”, como o Doce d’Arrobe (marca certificada desde 2019, pela Junta de Freguesia) e o Coscorão Cazal d’Oiro (outro ex-libris da vila que a Junta quer certificar, em 2021) ambos aproveitados em eventos pelos Cinquentões, e à distribuição de arroz doce ou o passeio de pasteleiras, promovido pelo Centro Social Ouriquense.

Por outro lado, a agenda cultural de Vila Chã de Ourique pretende também sensibilizar as pessoas para as boas práticas, desde a responsabilização com os animais de estimação até à separação e depósito do lixo, “porque gostamos de ver a nossa terra limpa”. Para o presidente da junta de Vila Chã de Ourique é importante manter a população informada sobre os serviços e iniciativas da Junta de Freguesia para que todos possam contribuir para uma terra melhor.

E homenageando as suas gentes e os beneméritos da terra, este ano a agenda destaca os fontanários da vila, todos eles reparados e a funcionar, numa empreitada que se iniciou em 2017, que agora têm uma placa informativa, contando um pouco da história de cada chafariz, num trabalho de recolha de testemunhos junto dos mais antigos que contou com a colaboração de Hélder Anacleto, e que agora podem ser vistos pelos ouriquenses e pelos visitantes da terra.

O presidente da junta conta que “estes fontanários foram construidos estratégicamente pela vila, quando não havia ainda água canalizada [só veio em 1974/75] e a água era retirada dos poços” e quem tinha poço, “quase toda a gente”, deixava as portas abertas para os vizinhos ‘sem poço’ lá irem buscar água. Foi na década de 60, do século passado, que o benemérito da vila, Rogério Ribeiro, também conhecido como “Minhoto”, “fez uma canalização do furo da casa dele, na Rua Vasco Ribeiro, para a quinta situada aqui no centro da vila e aproveitou essa canalização, em parceria com os serviços municipalizados, para todos os chafarizes”. Todo eles têm o símbolo dos serviços da Câmara do Cartaxo e, segundo Vasco Casimiro, “dá ideia que foi a Câmara que montou os chafarizes mas a água era fornecida pelo Rogério Ribeiro”.

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O primeiro chafariz foi construido no zona do Casal da Velha ou Largo da Caldeira, em 1968, perto da casa de Rogério Ribeiro, depois foi o do Largo dos Homens, também em 1968 (na Praça Francisco Ribeiro), no ano seguinte o do Largo das Mulheres e continou com os restantes fontanários num circuito que segue pelo Largo da Hermínia e que vai depois ao Largo do Venceslau. “No Largo das Mulheres havia três ou quatros lojas de retalho onde as mulheres se juntavam para se irem aviar e também arranjar trabalho”, recorda Vasco Casimiro frisando que os chafarizes foram colocados em lugares estratégicos, onde as pessoas se encontravam. Eram locais de encontro e de convívio”, como também comprova o chafariz do Largo dos homens, “largo central, onde está o chafariz duplo. Havia aqui três tabernas, era onde se encontravam os homens, para beber uns copos e conviver, mas também para arranjar trabalho para o dia seguinte”, conta.

De certa forma, esta “é uma homenagem que nós fazemos aos chafarizes e às pessoas que fizeram parte da sua história, como os nossos beneméritos Francisco Ribeiro e, o filho, Rogério Ribeiro, pessoas que fizeram muito pela nossa terra… Ao contarmos a história dos chafarizes estamos a contar a história destas pessoas, do povo que fez o aproveitamento destes largos. Para nós, os chafarizes são monumentos, representam a história e a cultura do povo”, sublinha Vasco Casimiro, que promete outra surpresa para breve, relacionada com uma outra peça muito antiga de Vila Chã de Ourique.

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