A batalha das nossas vidas – proteger aqueles que cuidaram de nós

Opinião de João Pedro Oliveira

Em menos de três meses um vírus colocou em alerta todo o planeta. Em Portugal vivenciamos hoje uma crise de saúde pública que abala os alicerces da nossa sociedade. Por um lado é colocada à prova a organização e funcionamento do nosso Sistema de Saúde, sendo que a sua avaliação dependerá da resposta adequada a todos os que dele venham a necessitar. Por outro, tomamos consciência que os direitos e liberdades individuais que sempre demos como garantidos podem num ápice ser colocados em causa.

Poucos duvidam que venceremos esta pandemia mas ninguém pode prever com certeza o seu custo social e económico. Para já o sucesso da batalha depende sobretudo do número de baixas que todos pretendemos mínimo. Enquanto comunidade temos a obrigação moral de proteger aqueles que se encontram mais fragilizados na sua saúde, pela idade avançada ou por doença, tornando-se alvos de risco para este vírus oportunista. Hoje são eles, amanhã, poderemos ser nós.

Esta é também uma luta que coloca o país num equilíbrio instável, entre aqueles que ficam em casa, minimizando o contágio, e os que fruto das suas funções colocam-se em risco a si e às suas famílias na salvaguarda do interesse público. Falo naturalmente dos profissionais de saúde que estão na linha da frente, mas também dos demais sectores, agrícola, logístico, comercial, todos os que garantem uma economia de mínimos para que o essencial não falte nas nossas vidas. A eles devemos o nosso genuíno agradecimento.

Vivemos tempos em que a salvaguarda de vidas humanas e a proteção dos mais vulneráveis deve ser a prioridade máxima da nossa sociedade. Não podemos contudo deixar de dar resposta aos que hoje olham o futuro com a incerteza, relativamente aos seus empregos, mas também em muitos casos, os seus negócios e empresas. Cabe ao nosso governo garantir uma resposta séria e atempada, para que ultrapassada esta fase crítica, a nossa economia possa também ela sobreviver. Não podemos em nenhum momento esquecer que sem crescimento económico gerador de emprego não há Contrato Social que resista.

Nota também para os inúmeros exemplos de altruísmo, generosidade e solidariedade que vamos assistindo por todo o país. São estes gestos que nos fazem acreditar que, dentro em breve, tudo isto não passará de uma memória de tempos em que a sociedade civil e o país se mobilizaram na proteção dos seus. De jovens que criaram bolsas de voluntariado para auxiliar os mais idosos. De autarquias que se aprontaram a servir os seus munícipes e fregueses em rede com as IPSS locais. De indústrias ou instituições de ensino que contribuíram decisivamente para que as falhas do Estado não colocassem em causa a resposta a esta crise.

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Estes são tempos de introspeção. De entender que não somos imortais e de que a vida é uma dádiva na qual, para além de todas as posses materiais, a saúde e o tempo que temos, como e com quem o aproveitamos, são a nossa maior riqueza. Aproveitemos então esta altura para valorizar estes privilégios.

*Artigo publicado na edição de abril do Jornal de Cá.

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