Como estamos no final do ano

Opinião de Ricardo Magalhães

Com a chegada do mês de dezembro aproxima-se o final de mais um ano.  Sem dúvida que foi um ano incaracterístico, abalador e que nos veio pôr à prova enquanto espécie, comunidade e a nível individual.  Estando agora a chegar ao fim, resta-nos perguntar o que fica dele e que desafios nos esperam no ano vindouro.

Creio que os desafios que enfrentamos podem ser divididos em três grandes setores: o da saúde, o social e o económico. A nível da saúde as principais dificuldades predem-se com o controlo e o domínio da pandemia. Após uma resposta cautelosa e eficaz à primeira vaga que se propagou pela Europa, seguiu-se algum facilitismo e descontrolo na segunda, tudo indica que motivado por preocupações económicas. Pois, talvez tenha dado para dar algum impulso ao PIB e ao turismo, mas sofrem agora os pequenos empresários nas áreas mais afetadas pela pandemia. Sabia-se que a gestão não seria fácil, mas claramente a meu ver não esteve à altura do país e das pessoas. Exigia-se uma gestão menos flutuante, que permitisse à vida seguir em frente com segurança e estabilidade. Adicionalmente, há a destacar pela negativa que outras doenças que não a Covid-19 tenham ficado para trás no atendimento dos nossos hospitais, o que colocou em risco significativo e resultou por vezes na morte de cidadãos cuja assistência se requeria prioritária. Doentes a cujo atendimento não contribui para o embelezamento dos números da Covid, mas cujas vidas são igualmente valiosas. Compreendo que haja recursos limitados e seja difícil chegar a todas as solicitações, mas dos casos que li pareceu-me estar muitas vezes na base a Covid como opção prioritária e não a possível severidade dos casos em análise.

A nível social temos provavelmente o maior embate. É um setor cujos danos provocados pela pandemia serão em grande parte invisíveis, tornando-se impossíveis de estimar. O isolamento provocado na vida de milhares de idosos e deficientes, o distanciamento social na vida das nossas crianças e jovens em desenvolvimento, a redução dos afetos na vida de todos nós e as necessidades que muitos enfrentam neste período são um peso gigante que a melhor versão de todos nós enquanto sociedade apenas conseguirá parcialmente suportar. Não é por isso menos importante darmos todos os dias o nosso melhor no nosso emprego, na rua e em nossa casa, estando lá para os nossos colegas, amigos, desconhecidos e familiares. Todos precisamos de todos e é a partir desta onda de compaixão e fraternidade que estaremos mais fortes individualmente e como um todo para enfrentar o presente rumo a um amanhã melhor.

Finalmente, a nível económico as consequências estão a ser desastrosas. Mais do que apoiar financeiramente os negócios em dificuldades, é urgente deixar a economia fluir e dar-lhes as condições de que necessitam para serem competitivos e sobreviverem. Somos um país de gente valorosa, corajosa e com engenho, que tendo condições para isso tudo fará para se manter de portas abertas e triunfar mesmo perante as dificuldades que existirem. Acredito que será esta abnegação a manter a nossa economia à tona, salvando e criando novos postos de trabalho. Para tal têm que ser dadas condições pelo Governo que até ao momento acredito não existirem. Muitos empresários estão ao abandono, com exceção dos tais pequenos apoios financeiros do Estado que nunca serão suficientes para assegurar a subsistência desses negócios. As empresas pagam impostos e contratam trabalhadores cujo salário também é tributado. Os trabalhadores são consumidores e usam o dinheiro conquistado por si para adquirir produtos, sendo essa operação também tributada. Precisamos de uma economia a fluir não só para gerar mais riqueza para as pessoas, mas também para aumentar a receita do Estado. É um efeito bola de neve positivo, que nos tornará mais forte como país e dará mais qualidade de vida aos nossos contribuintes.

Palavra final, ainda sobre este tema. Todos nós enquanto consumidores (e potencialmente como empresários) temos um papel importantíssimo na economia. Queria por isso relembrar esse mesmo papel e, se tiverem um amigo ou conhecido com um negócio, incentivar-vos a comprar-lhes a eles o produto ou serviço que comprariam noutro lado, seja agora para o Natal ou em qualquer outra altura do ano. Se esse produto ou serviço for de qualidade, não deixem de partilhar com os vossos amigos e conhecidos, boca a boca ou nas redes sociais, mesmo se não estiverem interessados em adquiri-lo. Ter um negócio aberto é um desafio imbuído de enorme responsabilidade e mesmo num clima económico adverso continuam a haver contas e salários para pagar. Sem existirem receitas, a comida deixa de chegar à mesa das pessoas que trabalham naquela empresa. Se eu trabalhar na mercearia e comprar umas calças por 30€ na loja da esquina. Se essa pessoa oferecer uma massagem à amiga pelos mesmos 30€. E se a massagista comprar 30€ de produtos na mercearia em que trabalho. No final temos todos o mesmo dinheiro com que começámos, o dinheiro circulou por todos e tivemos as nossas necessidades (roupa, bem-estar e comida) satisfeitas. Creio que este exemplo simples mostra bem o papel que podemos ter hoje nas vidas de todos nós.

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Um feliz Natal a todos e que o próximo ano seja o primeiro ano do resto das nossas vidas. Sejam felizes.

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