Histórias da nossa História

Opinião de José Barreto

Fundado a 6 de Março de 1921, o Partido Comunista Português cumpre agora 100 anos de vida. A sua fundação foi a expressão de uma necessidade histórica da sociedade Portuguesa. Foi o resultado da evolução do movimento operário Português e também das grandes conquistas teóricas e práticas do movimento operário mundial.

O PCP tem as suas raízes na história do povo português e é parte integrante da mesma. No seu primeiro congresso, em 1923, e já com um milhar de militantes, apontou o caminho para a luta pelos direitos dos operários e dos camponeses.

Face ao desenvolvimento do movimento operário e ao apuramento da sua consciência política, os grandes capitalistas e agrários, sentiram ameaçado o seu poder. A sua resposta veio através da instauração de uma ditadura fascista, com o golpe de Estado militar de 28 de maio de 1926.

O fascismo era um fenómeno novo em Portugal. E de todos os partidos e de todas as correntes existentes no movimento operário, apenas um partido resistiu e se organizou para combater a ditadura: o Partido Comunista Português.

A fim de dificultar a prisão dos seus militantes, em 1929, o PCP começa a organizar-se na clandestinidade. Bento Gonçalves, eleito secretário-geral do partido e que viria a morrer no campo de concentração do Tarrafal, teve um papel fundamental na implantação do partido no seio da classe operária. A grande afirmação do Partido deu-se a partir de 18 de Janeiro de 1934, neste dia tiveram lugar greves por todo o Pais contra a entrada em vigor do estatuto do trabalho Nacional. Na Marinha Grande a repressão à greve encabeçada por trabalhadores Comunistas é brutal.

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Quer se goste ou se deteste o Partido, é inegável o seu contributo único na defesa da democracia Portuguesa, que o digam os homens e mulheres que pagaram tal ousadia com a sua própria vida. No Tarrafal, por exemplo, foram assassinados 32 anti-fascistas. Recordemos Dias Coelho assassinado na via pública pela pide, tomemos como exemplo Álvaro Cunhal, assim como centenas de camaradas seus, que apesar da prisão e tortura nunca vergaram, sempre firmes na luta contra a ditadura.

Foi este Partido, forjado na luta, que chegou até hoje, fiel aos seus princípios, nunca abdicando deles em favor de jogos conjunturais. Com respeito pela soberania de todos os povos, com forte implantação no movimento sindical, nas Autarquias, na luta pela igualdade, com deputados e eleitos Autárquicos que estão na política para servir o povo, e não para se servirem a si próprios.

No momento em que assistimos ao branqueamento do fascismo, e dos efeitos das políticas de direita, o PCP é mais do que nunca importante no combate a estas forças reacionárias. Na luta por um Portugal com futuro, o seu papel torna-se hoje mais importante do que nunca! Por um Portugal de Abril, mais uma vez, o PCP estará na linha da frente. É este o Partido com esperança no futuro, que luta por uma democracia avançada em Portugal. É este o Partido Comunista Português.

*Artigo publicado na edição de março do Jornal de Cá.

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