Honrar a resiliência
"Devemos sempre honrar quem luta e dá o seu melhor em prol da comunidade, e ajuda sem esperar nada em troca". Invictamente por João Fróis.
A região centro, em particular os concelhos de Leiria e Pombal, foram dramaticamente afetados pela depressão Kristin que varreu, literalmente, a zona no passado dia 28 de Janeiro. Viajei para sul nesse dia e tive a visão clara da dimensão dos estragos que os ventos ciclónicos provocaram. Milhares de árvores tombadas ou partidas a meio, centenas de estruturas metálicas arrancadas e projetadas pelo ar, um emaranhado de cabos elétricos entre postes caídos e vergados, torres de telecomunicações e alta tensão quebrados, entre um caos de detritos vários, fossem telhas, caixotes de lixo, painéis publicitários, sinais de trânsito ou qualquer estrutura semelhante. A força da natureza impôs as suas leis e arrasou com tudo o que ofereceu alguma resistência ao vendaval tempestuoso e que felizmente ocorreu durante a madrugada. Imaginar o que seria durante o dia levar-nos-ia a milhares de tragédias humanas tal a proporção dos danos. A imagem de chapas enormes arrancadas de edifícios e enroladas em árvores a centenas de metros de distância como se fossem cachecóis, mostrava a violência do ciclone e a nossa impotência para lidar com o seu poder destrutivo. Nas semanas seguintes fomos lendo e ouvindo as notícias sobre todos os esforços conjuntos para recuperar casas, empresas, estruturas e ruas, pejadas de árvores caídas, postes e lixo.
Há dias visitei Leiria e estive no centro histórico da velha urbe e pude constatar como a cidade já se tinha recuperado das tragédias. No jardim central uma mostra fotográfica lembrava os imensos danos e todos aqueles que ajudaram na reconstrução, num agradecimento à comunidade e ao espírito solidário que permitiu limpar, arrumar e reconstruir tudo o que muito ficou destruído pelo ciclone. Nesse espaço agora mais despido ainda se veem os sítios onde existiam árvores antigas e de porte e onde agora já estão plantadas novas. É assim a vida também, do caos nasce a esperança e Leiria mostra a força do coletivo e da congregação de vontades para reagir e voltar com mais força em prol de todos. Almocei com vista para o castelo e prestei a minha singela homenagem à cidade do Lis e à suas gentes. No caminho ainda se veem imensas árvores tombadas pelo vento e logo após manchas negras dos tenebrosos incêndios que não há muito tempo arrasaram a região, nomeadamente o famoso pinhal de Leiria e que infelizmente ficou reduzido a umas pequenas bolsas arbóreas.
Após este evento dramático o país sofreu cheias igualmente violentas e que causaram imensos danos em várias regiões, seja Alcácer do Sal ou o baixo Mondego, onde inclusive a autoestrada 1 foi interrompida pela rotura de um dos diques principais. Também aqui os esforços de recuperação foram de louvar e em poucas semanas a normalidade foi resposta. Com o contributo de um leque alargado de instituições públicas e privadas e de muitas pessoas da comunidade.
Devemos sempre honrar quem luta e dá o seu melhor em prol da comunidade, e ajuda sem esperar nada em troca. Fica o nobre exemplo de que juntando vontades é sempre mais fácil recuperar de tragédias e que só com a congregação de todos é possível superar e avançar. Que saibamos aprender as lições certas e honrar o melhor do espírito lusitano na resiliência e luta pelo bem-estar de todos. Obrigado a todos os que deram o melhor de si em prol do bem coletivo!







