Que destino vais criar?

Opinião de Ricardo Magalhães

Em Portugal, como em grande parte do mundo, os jovens estão distanciados da política e dos partidos. Os jovens parecem aliás alheados da vida em sociedade e associativa.

Segundo dados do estudo ‘Emprego, Mobilidade, Política e Lazer: situações e atitudes dos jovens numa perspectiva comparada’, feito em 2015 com o patrocínio da Presidência da República, mais de 57% dos jovens entre os 15 e os 24 anos não revelam qualquer interesse pela democracia, apenas 5,1% colaboram com associações estudantis e escassos 1,7% integram associações ou ordens profissionais. Também unicamente 0,2% pertencem a sindicatos, outros 2% colaboram com associações religiosas e 1,9% participam em organizações de apoio social ou direitos humanos.

Os jovens revelam mesmo não discutir política entre si. Em sentido contrário, parecem utilizar a internet para agir e escolher diferentes formas de participação, como protestos públicos e movimentos. Organizam-se nas redes sociais e pensam assim estar a agir de forma mais direta, sem terem de se vincular a um partido ou organização. A verdade é que acabamos assim sem alterar verdadeiramente nada.

As associações estudantis, profissionais, religiosas, de apoio social ou políticas (partidos) são o coração da nossa vida em sociedade. É destas agregações que nasce a nossa vivência em comunidade. E só envolvendo-nos nas mesmas, conhecendo-as por dentro, sentindo as suas dificuldades e o impacto que têm na vida das pessoas, poderemos entendê-lo verdadeiramente.

E o que este distanciamento faz é que tenhamos mais de 90% dos jovens afastados destas associações e todo o valor que têm para dar àqueles que os rodeiam sai assim desperdiçado. Gritar por mudanças não altera nada, há que fazê-las com as nossas próprias mãos.

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Finalizo citando Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa, numa entrevista recente à revista Visão. “Formar pessoas significa fornecer-lhes os instrumentos para poderem gerir a própria vida com espírito crítico, terem a capacidade de eleger os seus caminhos, as competências para poderem escolher, de forma responsável, aquilo que vão ser ao longo da vida. Aquele discurso de que os indivíduos estão ao sabor das decisões dos outros é terrível: o “eles” – o governo, a igreja, a empresa… – é uma expressão retórica terrível na Língua Portuguesa. Somos cocriadores do nosso destino.”

Que destino vais criar?

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