Uma questão de escolhas

Opinião de José Barreto

Estamos a quatro meses da eleição para a Presidência da República. Fruto dos tempos conturbados que atravessamos os direitos constitucionais da maioria dos portugueses estão a ser fortemente atacados, com especial ênfase no sector do trabalho, que o digam os trabalhadores em layoff com o corte dos salários e os precários que não viram os seus contratos renovados.

O Presidente da República quando toma posse jura cumprir e fazer cumprir a constituição. Dos candidatos que já se assumiram como tal, incluo nestes o atual Presidente, a meu ver, só um tem condições para cumprir tal juramento.

Marcelo Rebelo de Sousa, qual picareta falante e com a conivência da comunicação social, opina a toda a hora sobre o que não deve e fica mudo quando devia falar. Tem uma agenda política própria: a criação do bloco central e o branqueamento da direita. Recordo a sua posição quando promulgou rapidamente legislação sobre o trabalho, sem se preocupar com a sua inconstitucionalidade ou, como agora, quando se imiscui nos poderes da Assembleia da República pressionando os Partidos a viabilizar um orçamento que ainda não conhecem sequer.

André Ventura, herdeiro dileto do regime fascista, o que diz sobre a constituição é que a vai rasgar. Conquistas como o SNS, escola publica, segurança social solidária, o direito a ser diferente e o direito de opinião, a seu ver seriam simplesmente aniquilados. O Povo Português que tem memória dar-lhe-á a devida resposta.

Ana Gomes e Marisa Matias têm algumas coisas em comum, ambas são levadas ao colo pela comunicação social de direita (porque será?). Para as duas candidatas o preceito constitucional da não ingerência nos assuntos internos de outro país e o direito dos povos a resolver os seus problemas não se aplicam. Vejam-se as suas posições sobre a Ucrânia, Líbia e Síria onde num lado temos um governo fascista e na outra temos escravos, miséria e refugiados.

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Ana Gomes combate a corrupção defendendo um presumível criminoso Rui Pinto. A sua “democracia” leva-a a aproveitar o seu lugar de comentário na SIC (se fosse coerente já  lá não estava) para atacar o candidato João Ferreira.

Marisa Matias apresenta-se como candidata contra o medo. É estranho, no 1º de maio quem lutava contra o medo e a perda de direitos não lhe viu tal coragem.

João Ferreira, no meu entender, não será apenas o candidato do PCP, o seu compromisso com a constituição, com os trabalhadores e pequenos empresários que lutam por uma vida melhor, mas também o seu trabalho no Parlamento Europeu e na Câmara de Lisboa, fará com que a sua candidatura se torne abrangente a muitos sectores da sociedade.

O principal trunfo de João Ferreira é que quem luta sabe que ele esteve e estará ao seu lado.

Ele não vai ficar à janela!

*Artigo publicado na edição de outubro do Jornal de Cá.

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