Cartaxo voluntário

Projeto SentiArte da Santa Casa da Misericórdia do Cartaxo

 

Andámos à procura e encontrámos: ainda há muita gente a dar, sem nada receber em troca.

Santa Casa da Misericórdia do Cartaxo

Projeto SentiArte da Santa Casa da Misericórdia do Cartaxo
Projeto SentiArte da Santa Casa da Misericórdia do Cartaxo

Das instituições mais antigas a depender, em parte, do voluntariado, a Santa Casa da Misericórdia do Cartaxo conta, desde logo, com a direção, cujos elementos desenvolvem um trabalho de grande responsabilidade, despendendo do seu tempo, sem nada receber em troca, e que dão a cara pela instituição, para o bem e para o mal, refere Inês Nunes, directora técnica da instituição, frisando que é nos corpos diretivos que se encontra a grande força do voluntariado.

A Santa Casa da Misericórdia do Cartaxo é uma IPSS, que tem ao seu encargo dois lares de terceira idade, com dezenas de idosos, em regime de internato e de centro de dia, e que emprega mais de cem funcionários. Disposta a acolher voluntários nos cuidados básicos aos utentes, mas também a nível da animação cultural, atualmente a Santa Casa conta com uma voluntária que, um dia por semana, se desloca ao Lar de São João, uma das suas valências, para dar apoio ao serviço de internato.

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Projeto SentiArte da Santa Casa da Misericórdia do Cartaxo
Projeto SentiArte da Santa Casa da Misericórdia do Cartaxo

Na área a animação cultural, ao encargo da actual animadora Paula Vieira, a trabalhar há oito anos na Misericórdia do Cartaxo, encontramos Maria Amélia Timóteo, que já se encontra na Casa há 14 anos como voluntária, também nos corpos directivos. Com o apoio de Adelina Nogueira e, actualmente, de Luísa Valente, recentemente aposentada desta casa, todas as quintas-feiras de manhã juntam um grupo de cerca de seis utentes na Casa de Santa Cruz, a outra valência da Misericórdia do Cartaxo, que ali desenvolvem diversos trabalhos criativos, que os ajudam a desenvolver as faculdades motoras (ou a superar dificuldades) e a despertar emoções, assim como a ocupar o tempo.

No mesmo dia, à tarde, a animação passa para o Lar de São João, que conta com muitos mais anos de experiência nestas actividades, por ser uma casa com mais anos de vida. Aqui o grupo é mais alargado, atendendo ao facto de o universo de utentes ser maior e onde as dependências não são tão profundas, assim como por ter o regime de centro de dia, com utentes mais autónomos, logo mais participativos. São cerca de 15 a 20 pessoas que se juntam com a animadora e as voluntárias para desenvolver trabalhos, na sua maioria, com materiais reciclados que recriam livremente, também alusivos às épocas festivas, ao longo do ano, que depois são utilizadas na decoração da Casa. De momento estão a fazer um anjo para decoração do natal, com rolos de papel higiénico.

Conferência do Sagrado Coração de Jesus

Voluntárias da Conferência do Sagrado Coração de Jesus
Voluntárias da Conferência do Sagrado Coração de Jesus

Há mais de 50 anos que a Conferência do Sagrado Coração de Jesus apoia famílias carenciadas do Cartaxo, com alimentos e outros bens necessários. Ao todo, actualmente são 103 famílias que recorrem a esta ajuda, como nos contam Deolinda Mendonça e Gertrudes Rangel, duas das voluntárias de um grupo que move cerca de 20 pessoas, que encontrámos no centro de operações, situado no Edifício da EMEL e que, neste dia, tiveram a companhia de duas estudantes estagiárias na Cáritas. Todas as terças-feiras, exceto uma vez por mês que acontece ao sábado, duas pessoas do grupo passam aqui toda a manhã a encher caixas para famílias beneficiárias, com diversos produtos mediante o número de adultos e crianças por agregado, que ali hão-de voltar no mês seguinte.

A trabalhar em rede com a Sociedade de São Vicente de Paulo, que opera em todo o País, a Conferência do Sagrado Coração de Jesus conta com o apoio esporádico de supermercados, do banco alimentar e da cáritas, assim como dos seus associados que, segundo as voluntárias, tendem a ser cada vez menos, talvez também pelas dificuldades financeiras que vêm afetando cada vez mais pessoas. É com estes apoios e pouco mais que, durante muitos anos, Maria Irene Camoez e, actualmente, Maria de Jesus Tomásia, falando num passado mais recente, se vêm responsabilizando pela gestão de um voluntariado, que envolve pessoas quase todas com mais de 60 anos, que tem como missão apoiar pessoas carenciadas, também acompanhando de perto os seus problemas e, quando necessário, ajudando no pagamento de medicamentos.

A ação de voluntariado que promovem não se esgota na ajuda alimentar, sendo uma das preocupações o apoio social num todo. Pontualmente, sempre que há doações, encontram maneira de distribuir roupa, material escolar e até brinquedos, como aconteceu recentemente.

Associação Humanitária de Pontével

Voluntários da Associação Humanitária de Pontével
Voluntários da Associação Humanitária de Pontével

Atualmente com oito funcionários e cerca de vinte voluntários, nos quais se incluem alguns dos funcionários, a Associação Humanitária de Pontével faz o transporte de doentes não urgentes a hospitais, clínicas, fisioterapias, consultas, dentro e fora do distrito. Só no caso das hemodiálises é que transportam só pessoas do concelho, cujo retorno, em muitos dos casos, é feito à noite.

Em 18 anos de existência, a Associação Humanitária funcionou sempre com voluntários até que, com o aumento de serviços, teve de colocar funcionários assalariados. Ainda assim têm tido sempre voluntários, com uma média de idades nos trinta e poucos anos, muito embora ainda haja um com 60 anos. São pessoas, de Pontével e não só, que têm as suas profissões. E apesar de já ter sido mais fácil atrair voluntários, conseguiram há pouco trazer mais seis pessoas depois de promoveram um curso de Tripulante de Ambulância de Transporte.

“Os nossos voluntários gostam do que fazem e andam felizes e contentes”, refere o actual presidente da Associação, José António Sobreira, que ocupa o cargo desde março de 2015 e reconhece-se ele próprio como voluntário numa missão que lhe ocupa horas a resolver problemas, porque, como lembra, esta associação funciona como uma empresa, logo pede muito tempo, entrega e disponibilidade.

Com escalas de dois elementos, motorista e maqueiro, os voluntários operam aos fins-de-semana e fora do horário de serviço, durante a semana, ao lado dos funcionários, contando com três ambulâncias com macas e duas para transporte de doentes em cadeiras de rodas, que fazem, entre outros, serviços a pedido do Hospital Distrital de Santarém, numa média de 600 por mês, que é de onde vêm as receitas.

José António Sobreira admira o voluntariado porque o sorriso e agradecimento das pessoas com quem trabalham vale tudo. Daí que quando há provas desportivas no concelho a Associação voluntaria-se a estar presente, para o caso de ser necessário o transporte de alguém. Para além disso, têm ainda um acordo com o Instituto Português do Sangue, e promovem as recolhas de sangue em Pontével, uma vez que não grupo de dadores de sangue nesta vila.

Refood

Voluntários da Refood no dia da assinatura da Carta de Princípios
Voluntários da Refood no dia da assinatura da Carta de Princípios

Ana Andrade, Áurea Russo, Filipe Valente, Gabriela Serrão e Nuno Carvalho são alguns dos voluntários que arrancaram com o movimento Cartaxo Refood, que tem por objetivo mover toda a comunidade no sentido de suprir as necessidades básicas de alimentação a pessoas carenciadas, através dos excedentes de cafés, restaurantes entre outras instituições que sirvam refeições, conseguindo reduzir a zero os desperdícios alimentares que todos os dias acontecem. Este movimento nacional e internacional surgiu em Portugal, há seis anos, com o americano Hunter Halder, ele próprio voluntário em Lisboa, e está prestes a ser implementado em Barcelona, Madrid, Amesterdão, entre outras cidades mundiais.

No Cartaxo, apesar de os cerca de trinta voluntários envolvidos no movimento já se encontrarem no terreno a tratar de o pôr a mexer, tendo já feito entregas pontuais de bens alimentícios que entretanto lhes foram entregues por empresas e produtores, ainda aguardam pelas obras necessárias do futuro centro de operações, no mercado municipal, cedido pela Câmara. Sem este espaço pronto não podem iniciar o trabalho por que tanto anseiam. E para que fique pronto e apropriado às operações de manipulação dos alimentos, dentro das devidas regras de higiene e segurança alimentar, precisam do apoio de empresas que queiram doar os materiais e as máquinas necessários (bancadas em inox, máquina de lavar loiça industrial, frigoríficos, entre outros). Até agora, segundo nos contam, todos com quem têm contactado, na comunidade, têm respondido de forma positiva.

Também os voluntários inscritos são muitos (cerca de 250), com idades que variam muito, desde muito novos a pessoas com mais idade, entre as quais há pessoas que também vão ser beneficiárias. O trabalho de recolhas e entregas será todo feito na cidade, a pé. E as famílias a apoiar serão todas aquelas que ainda não estão a ser apoiadas pela segurança social, conferência entre outras instituições que operam neste sentido e com quem o Cartaxo Refood trabalhará em parceria, também com o objetivo de uma verdadeira integração social dos seus beneficiários. Neste sentido, esperam conseguir ainda parceiros queiram oferecer os seus serviços, de forma voluntária.


 

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