Chuva e falta de luz assombram Festas da Cidade

No primeiro dia foi a chuva, no último a falta de luz

As Festas da Cidade lá aconteceram, depois de alguns impasses que obrigaram a que se preparasse tudo em tempo recorde.

Infelizmente, a chuva acabou por boicotar logo o primeiro dia de festa, impossibilitando as atividades previstas para esse dia, nomeadamente o concerto de David Antunes que acabou adiado. Mas também no último dia das festas, domingo, a falta de iluminação pública boicotou a atuação das marchas da Lapa e de Pontével, que tiveram de atuar praticamente às escuras.

Délio Pereira, presidente da União de Freguesias Cartaxo e Vale da Pinta, responsável este ano pela organização das Festas da Cidade e de S. João, reconhece os constrangimentos causados pela chuva no primeiro dia, “mas o tempo é uma coisa que temos que aceitar… nestes anos todos nunca aconteceu a chuva vir estragar a festa, como aconteceu no primeiro dia das festas deste ano”.

“Outro ponto negativo”, reconhece o presidente da Junta, “foi, de facto, no último dia, tal como já tinha acontecido no sábado, uma quebra de energia por parte da rede pública que nos afetou, porque tínhamos as marchas em frente ao Tribunal e pouco tempo antes de se iniciar o desfile apagaram-se as luzes”. Délio Pereira diz que a EDP foi informada e o piquete esteve no local, tal como na segunda-feira seguinte, “a fazer vários ensaios, mas não chegou a nenhuma conclusão, mantendo-se as luzes apagadas ainda nestes dias”. Segundo o presidente, o piquete da EDP já havia sido chamado ao local no sábado, porque também na sexta-feira já tinha havido falhas na iluminação na zona das tasquinhas, garantindo que “houve insistência da nossa parte para que houvesse energia elétrica”.

As Festas da Cidade e de S. João, como se denominaram este ano, apesar de desde a sua primeira edição serem em honra do padroeiro da cidade, S. João Batista, cujo dia se celebra a 24 de junho, contaram ainda com um percalço que atrasou a montagem dos bares, criando alguns constrangimentos às coletividades presentes. Segundo Délio Pereira, “houve um lapso com as entregas de equipamentos da Sagres, que tinha dois eventos no Cartaxo e trocou as mercadorias, entregando as arcas frigoríficas, os chapéus e os balcões só na sexta-feira”.

Pouco tempo para organizar a Festa
“Estas festas foram pensadas em pouco mais de três semanas”, justifica o presidente da Junta, lembrando que “a União de Freguesias teve de decidir se fazia ou não as festas, devido à falta de condições humanas e financeiras da Associação “Gentes do Cartaxo”, e “só após algumas reuniões decidimos fazer as festas com o apoio da Câmara, no sentido de não se acabarem com as festas”. Segundo Délio Pereira, “isso fez com que alguns pormenores não fossem possíveis de concretizar”.

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Na sexta-feira, por exemplo, houve muita gente a queixar-se da hora tardia da largada e sabemos agora que se deveu à utilização dos curros da Praça de Touros para os animais da largada. Numa noite em que houve corrida de touros, estando os curros a ser utlizados Délio Pereira diz que já esperava que houvesse algum atraso, mas nada mais do que meia hora, acontece que, segundo o presidente da Junta, “houve mais demora porque os animais da tourada foram limpos e carregados, todos, só no final da corrida” e não ao longo da corrida, enquanto os animais vão saindo da arena. Assim, explica Délio Pereira, “ tivemos que esperar que saíssem primeiro os touros da corrida para depois lá descarregar os touros para a largada”. Isto acontece porque, “tal como nos primeiros anos, tomámos a opção de colocar os touros na Praça porque aquele equipamento leva muito tempo na montagem, é muito complexo, e já tínhamos pouco tempo para a montagem. Por outro lado, porque também nos parece que assim embeleza o recinto, cria mais atividade e movimentação dos animais e dos campinos da praça para a manga e da manga para a praça, assim como ajuda a concentração de mais pessoas nas zonas dos bares”. Para que o mesmo não se repita no próximo ano, “teremos de intervir nesse aspeto”, promete Délio Pereira, que não se “esquiva” à responsabilidade de voltar a organizar as Festas da Cidade, enquanto presidente da União de Freguesias Cartaxo e Vale da Pinta. “Enquanto nós pudermos não iremos deixar de fazer as festas, agora obviamente que poderá haver outras alternativas”, diz.

Quanto à afluência de pessoas, o presidente diz que “foi normal, tendo em conta também os eventos aqui à volta… Tem-se notado uma quebra de público e até de consumos, ou seja, todas as festas aqui à volta têm sentido que há menos afluência”. Pelo que pudemos apurar, no primeiro dia, mesmo com chuva, ainda houve algumas (poucas) pessoas a passar pela festa. Já na noite de sexta-feira, com uma temperatura muito convidativa, esteve muita gente na festa e na corrida de touros, por mais que as críticas ao espetáculo na Praça de Touros tenham sido muitas. No sábado, o Festival de Folclore e o espetáculo equestre, bem como as outras atividades na Praça de Touros naquela noite, conseguiram uma boa assistência, fazendo movimentar muitas pessoas em todo o espaço da festa, nomeadamente nos bares e tasquinhas. O domingo, último dia das Festas da Cidade, foi dia de procissão, com muita gente a sair à rua para homenagear o santo padroeiro, mas ficou marcado pela negativa com a falta de iluminação no largo do Tribunal que não deixaram as marchas da Lapa e de Pontével brilhar como mereciam, ainda que muitos dos presentes tentassem iluminar os marchantes com os seus telemóveis.

Foi uma festa modesta, com a prata da casa, “à medida da carteira”, como anunciara Délio Pereira, e que “se pagou a ela própria”. “Nós tínhamos já noção dos custos destas festas e até onde é que poderíamos ir. A nossa intenção era que a festa se pagasse a ela própria, até porque não pretendemos ter lucros com a mesma. A festa pagou-se, custou cerca de 15 mil euros, que era o orçamento que já vinha de trás”, refere o presidente da Junta. “Gastámos aqui um bocadinho mais do que pensávamos na segurança, parcela que não contámos muito de início, mas chegámos à conclusão que teríamos que investir nesse serviço, porque de facto nós não tínhamos elementos suficientes e não queríamos expor as pessoas a riscos no recinto, nomeadamente nos locais de bilheteira e entrada e saída de veículos”, conta, acrescentando que, a esse nível “correu tudo bem”.

A finalizar, Délio Pereira, quer “agradecer ao presidente da Câmara o facto de ter estimulado a vontade de se fazerem as festas; agradecer às empresas que patrocinaram e aos funcionários da Junta que foram extremamente importantes na concretização das festas”, deixando “uma palavra de especial apreço e de agradecimento aos vários voluntários que estiveram no terreno a ajudar-nos, sem qualquer tipo de recompensa ou retribuição”.

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