E amanhã?

Os homens são muito mais férteis em antecipar catástrofes do que em evitá-las. Estamos a dar cabo do planeta, vivemos desigualdades (e irracionalidades) económicas e sociais, as democracias vivem os maiores perigos e vamo-nos… Opinião de Ana Benavente


Os homens são muito mais férteis em antecipar catástrofes do que em evitá-las. Estamos a dar cabo do planeta, vivemos desigualdades (e irracionalidades) económicas e sociais, as democracias vivem os maiores perigos e vamo-nos entretendo com os “mortos vivos”, os “marcianos”, as “almas penadas” e outras figuras do Apocalipse.

Há muitos milhões de anos que o planeta não vivia um tal aquecimento climático, uma poluição absurda, perigos perfeitamente evitáveis se…. fossemos como os animais.

Um leão (leoa) caça quando tem fome, mas não caça para vender a outros leões da manada e para enriquecer.

Cyril Dion e Melanie Laurent (Leopard filmes), após a publicação de um estudo que anuncia a possibilidade do desaparecimento da humanidade até 2100, investigam, em dez países, práticas pioneiras – algumas bem antigas – que reinventam a agricultura, a energia, a economia, a democracia e a educação. De todas estas iniciativas positivas (“boas práticas”) surge o mundo de amanhã, mais inteligente e mais feliz.

Aprende-se muito com este filme (AMANHÃ, no Monumental, Lisboa) que merecia ser divulgado em todo o país. Algumas coisas já as sabemos, como canta L. Cohen, na banda sonora. Desde os Estados Unidos com as hortas urbanas em Detroit, até ao Reino Unido com a moeda local (temos exemplos em Espanha, do galeuro à taruta) ) que, tal como acontece na Suiça desde os anos 30, com o WIR, serve para as trocas locais, até a fábricas com energias renováveis em França, à reinvenção da democracia em Bruxelas, na Índia e na Islândia (que não salvou os bancos que nos levam o sangue, como os vampiros), sem falhar a educação na Finlândia (sem inspecção nem exames, com múltiplas pedagogias e crianças e jovens felizes, uma educação gratuita que forma cidadãos para os desafios do mundo), vemos que, afinal, há outros futuros possíveis.

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Sem guerras nem destruições. Ficamos a saber que 75% do que comemos vem dos pequenos agricultores e apenas 25% das grandes companhias, como a Monsanto (que dizer dos subsídios para “NÃO” produzir??). Ficamos a saber que os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Ficamos a saber que o futuro será aquilo que dele fizermos. Ficamos a saber que há mais de 1.500 cidades (já que a maioria da população mundial vive hoje nas cidades) que reinventaram a produção, a vida, a democracia.

A Dinamarca desenvolveu os comboios (e não as auto-estradas, ah pois é), as pistas cicláveis e as passagens pedestres. Torna as cidades amigas do ambiente e amigas de quem as habita. Afinal, sabemos tudo, mas deixamo-nos levar pelos poderosos, nesta terrível proximidade entre sistema financeiro, multinacionais e políticas partidárias. Até quando? Centro Cultural do Cartaxo, leve aí este filme. As alternativas estão junto de nós.

Toda a gente sabe que os dados estão viciados
Toda a gente caminha com os dedos cruzados (…)
Os pobres continuam pobres e os ricos ficam ricos
É assim que as coisas são
Toda gente sabe (…)”, Leonard Cohen, Everybody knows

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