Nada é mais caro do que uma oportunidade perdida

Opinião de João Pedro Oliveira

Cumprido o primeiro trimestre de 2021, estamos a menos de meio ano das eleições autárquicas. Saídos de um período fortemente condicionado pelo confinamento e pelo necessário isolamento social, a preparação deste sufrágio obrigará partidos e movimentos candidatos aos diferentes órgãos a se adaptarem às novas circunstâncias, quer no contacto com os seus protagonistas, quer com a população.

No Cartaxo, e de acordo com o planeado este seria o ano no qual o executivo socialista jogaria todas as fichas. Contudo, a atual crise da TOS, veio baralhar a jogada de quem se preparava para apostar na velha política, de à beira das eleições, mostrar obra feita à “mata-cavalos”, procurando fazer esquecer um mandato marcado pela inércia, pela falta de planeamento e pela incapacidade em antecipar ou resolver os principais problemas dos cartaxeiros. Tenho em crer que a estratégia de incutir um sentimento anti-mudança para “não perder aquilo que se têm” esteja obsoleta face a tudo o que tem acontecido neste mandato.

Importa salientar que esta estratégia é uma opção legítima por parte de quem exerce o poder para mais com a confiança da maioria que se deslocou às urnas. É algo que temos de aceitar, mas que, democraticamente e em simultâneo, não somos obrigados a concordar. Para mais se acharmos que a política não se constrói de aparências, mas de reais impactos positivos na vida das pessoas e que esse é de facto o propósito. Não de quatro em quatro anos, mas no dia a dia.

Assim, e face ao atual contexto do Cartaxo, marcado por inúmeras falhas de gestão com elevado impacto na qualidade de vida dos munícipes e na total inexistência de incentivos ou medidas de mitigação às consequências sociais e económicas da pandemia, estas eleições representam uma oportunidade para as restantes forças políticas apresentarem projetos credíveis e responsáveis capazes de devolver a esperança aos cartaxeiros.

Acredito que o futuro possa trazer novos atores com percursos de vida demonstrativos de experiência e capacidade para resolver problemas existentes. Com reconhecido engenho e criatividade para acelerar a recuperação social e económica que o município tanto necessita. Com dinâmica e motivação para sair da zona de conforto e dar ao longo de cada dia o seu máximo, procurando justificar as razões para as quais mereceram a confiança dos cidadãos. Sabendo de antemão que essa confiança não se dá por garantido por serem do partido A ou B.

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Ideologias à parte, faço votos para que estas eleições sejam marcadas por elevação, com confronto de ideias, e não de quezílias. Pelo debate sério e pela franqueza dos argumentos e não por quem se procura vitimizar ou ofender para daí retirar dividendos políticos no sentido de esconder a sua incompetência ou impreparação.

Por último quero acreditar que mais que o fervor clubístico dos partidos sobressairá na decisão de cada um a capacidade dos candidatos, as propostas que apresentam para o futuro e a motivação que trazem para resolver os problemas que há anos a fio estão identificados, mas cuja resolução tarda em chegar. Lutemos por isso.

*Artigo publicado na edição de abril do Jornal de Cá.

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