A Economia e a Covid-19

Opinião de João Pedro Barroca

Infelizmente o mundo não estava preparado para a Covid-19 e, consequentemente, a economia também não.

Em particular, em Portugal, à semelhança do que está acontecer nos restantes países, irá verificar-se uma quebra acentuada no consumo e nas exportações de bens e serviços. Por conseguinte as empresas irão adiar os seus investimentos, o que aliado a uma queda acentuada na confiança dos consumidores, provocará um choque negativo na procura e oferta. Estes choques têm o potencial de se traduzirem num cenário de forte abrandamento da economia e aumento do desemprego, com consequências para as finanças públicas na quebra de receita fiscal e contributiva, aumento de transferências sociais e aumento do consumo intermédio das administrações públicas.

O Tecido Empresarial de Portugal
O tecido empresarial português é composto quase na totalidade por pequenas e médias empresas.

Infelizmente estas empresas vão enfrentar enormes dificuldades para sobreviver a esta pandemia mundial, pois, devido ao fecho de vários estabelecimentos e ao isolamento das pessoas em casa, muitas estão a ficar sem receitas e sem forma de cobrirem os custos fixos, nomeadamente salários.

Um estudo do Instituto JP Morgan Chase, de 2016, que se debruça sobre a realidade norte-americana, mostra que, em média, uma pequena empresa consegue manter-se 27 dias sem receitas. A análise, feita a cerca de 600 mil empresas, mostra que metade de todas as pequenas empresas possui uma reserva para suportar 27 dias de custos operacionais, ou seja, inferior a um mês. Entre as restantes, 25% tem uma reserva de menos de 13 dias e outros 25% conseguiriam aguentar mais de dois meses, cerca de 62 dias.

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Como facilmente se poderá perceber, garantidamente, as empresas portuguesas não têm uma capacidade financeira superior às norte-americanas, logo, estes indicadores ajustados à nossa realidade serão bastante mais dramáticos.

Medidas de Apoio às Empresas
As medidas anunciadas no âmbito da situação epidemiológica que vivemos, por um lado revelam boa vontade da parte do nosso Governo, mas, por outro lado pode-se constatar um total desconhecimento da realidade económica e financeira das micro e pequenas empresas portuguesas, pois, pecam por serem manifestamente insuficientes.

Neste sentido o adiamento dos prazos para pagamentos de impostos e a disponibilização de empréstimos para as empresas se endividarem e, fazerem face às suas obrigações, não será suficiente para impedir o colapso da nossa economia. Não me parece honesto, nem tão pouco será vivável, estar a pedir aos empresários que se endividem com custos financeiros significativos para pagar custos fixos.

O Governo terá que ir muito mais além e, tomar medidas sem precedentes para atenuar a crise económica que se avizinha, suspendendo todo o tipo de obrigações fiscais a que as empresas estão sujeitas e conceder subsídios extraordinários de apoio à atividade económica com vista à manutenção dos postos de trabalho. Para isso deveria ser criado um fundo de emergência público que permita canalizar diretamente recursos financeiros para as empresas, mediante critérios justos e transparentes, sem burocracia excessiva.

Impacto na Economia Local
No âmbito do impacto que esta pandemia irá ter nosso concelho e, em particular, na economia local, gostaria de deixar uma nota de agradecimento a todos aqueles que, diretamente ou indiretamente, estão a contribuir para minimizar este efeito negativo.

*Artigo publicado na edição de abril do Jornal de Cá.

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