Mais do que nunca importa promover e apoiar o que é nosso

Opinião de João Pedro Oliveira

Infelizmente pelas piores razões, o ano de 2020 ficará marcado para sempre na memória daqueles que o viveram. Todos sabemos que o impacto desta pandemia vai muito além da saúde. De acordo com dados do INE, em comparação com os primeiros três meses do ano perderam-se aproximadamente 66 mil empregos. Já o endividamento no setor privado subiu cerca de 600 milhões de euros.

Alguns sectores têm sofrido mais que outros. A construção manteve uma trajetória estável alavancada pelo investimento público em infraestruturas (patrocinada por fundos comunitários). Já o sector tecnológico encontrou na atual crise uma oportunidade de negócio. O recurso ao teletrabalho obrigou as empresas a investir nos seus sistemas informáticos para possibilitar conexões remotas. Também o aumento da divulgação de negócios online como escapatória à perda de clientes, permitiu inclusive um aumento da atividade.

No extremo oposto, e com maior impacto na nossa economia local, o pequeno comércio e a restauração vivem uma situação desesperante. Nesta fase é muito importante as autarquias lançarem dinâmicas e incentivos que permitam mitigar os efeitos económicos nefastos da pandemia junto daquele comerciante ou produtor, que conhecemos e que reconhecemos valor. Falamos de pessoas que nesta altura fazem das tripas coração para pagar os salários dos seus funcionários, para saldar as dívidas a fornecedores, ou, pura e simplesmente, para manterem os seus negócios com a porta aberta.

Em âmbito local a redução de impostos municipais para o tecido empresarial local é um bom princípio. O desenvolvimento de plataformas de divulgação de comerciantes e produtores locais, por mais básicas (mas eficientes) também. O apoio no transporte de bens neste mês de maior faturação seria uma grande ajuda para o qual município e juntas de freguesia poderiam contribuir. O patrocínio de um sistema de avanço de capital incorporando um sistema compre agora e pague depois, com vouchers, poderia ser um balão de oxigénio para quem precisa de melhorar a sua tesouraria neste período de maior confinamento. O sorteio de cabazes ou prémios tendo por base faturas exclusivamente gastas no pequeno e médio comércio, independentemente do valor associado, acompanhado de uma campanha de sensibilização e divulgação seria um bom mecanismo para envolver a comunidade. A divulgação de uma pequena aplicação que agregasse espaços de restauração do concelho com serviço de takeaway poderia aumentar a receita de quem hoje tem dificuldade em manter a sua casa aberta.

No Cartaxo existe ainda folga orçamental do lado da despesa, seja pela moratória de 1,5 milhões de euros ao FAM, seja por eventos e investimentos que o município não realizou. Existem iniciativas que não implicam custos elevados para a autarquia e que são fazíveis ao abrigo do cumprimento do resgate que o município está obrigado. Por exemplo a oferta de descontos culturais em espaços do município a distribuir ao comércio e restauração local, com uma data alargada que permita serem utilizados inclusive num período pós-pandemia.

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A falácia

Diego

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Qualquer pequena ação é importante para quem desesperadamente precisa. Fruto da sua possibilidade, aproveite também esta quadra para apoiar os nossos comerciantes e produtores!

*Artigo publicado na edição de dezembro do Jornal de Cá.

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