Motivo da retirada de pelouros a Elvira Tristão é tabu

A retirada de pelouros à vereadora Elvira Tristão pelo presidente do executivo Pedro Ribeiro foi um dos temas a marcar aquela que foi a primeira reunião de Câmara presencial em tempos de pandemia, depois de em março as reuniões do executivo camarário passarem a ser realizadas por videoconferência.

Ainda antes do período da ordem do dia, todos os eleitos do Partido Socialista fizeram questão de dar nota da prestação da vereadora, agora sem pelouros, ao longo destes cerca de três anos de mandato, com o presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Ribeiro, a transmitir a sua “gratidão” pelo trabalho da vereadora em tempos “particularmente difíceis”, lembrando “a relação política e pessoal de mais de 25 anos” entre ambos. Contudo, e tal como havia sido transmitido no comunicado do Partido Socialista sobre a retirada de pelouros à vereadora, que transitaram para o vice-presidente, Fernando Amorim, Pedro Ribeiro justifica esta decisão com “o trabalho desta câmara” que “é um trabalho difícil e que gera tensões entre as equipas”, acrescentando que “houve aqui a acumulação de um conjunto de diferenças que considero inconciliáveis” e que já não existia “harmonia” na equipa de trabalho.

A situação de gravidade nada teve que ver com a gestão de recursos da Câmara, tem a ver com as relações de trabalho.
Pedro Ribeiro

Elvira Tristão “foi notável na gestão dos recursos da Câmara, com grande seriedade e honestidade”, frisando que “a situação de gravidade nada teve que ver com a gestão de recursos da Câmara, tem a ver com as relações de trabalho”.

Chegada a sua vez de intervir, o vereador da oposição, Jorge Gaspar, quis perceber melhor o que se passou para tal tomada de decisão do presidente da Câmara, mas também lamentar a forma como ele e o vereador Nuno Nogueira, ambos eleitos pela coligação Juntos pela Mudança (PSD/NC), ficaram a saber de tal reorganização dos pelouros da Câmara.

Por vezes, se confunde a câmara com o Partido Socialista e não posso deixar de repetir isso nesta circunstância.
Jorge Gaspar

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“Eu disse aqui uma vez que, por vezes, se confunde a câmara com o Partido Socialista e não posso deixar de repetir isso nesta circunstância, porque nós [eleitos pela coligação JPM] tomámos conhecimento de uma mudança de pelouros na câmara Municipal do Cartaxo por um comunicado do Partido Socialista. O que de facto é inusitado”, sublinha. Considera Jorge Gaspar que quaisquer que tenham sido as razões para a retirada de pelouros à vereadora “foram no quadro das vossas responsabilidades políticas enquanto eleitos locais e não enquanto militantes do Partido Socialista e, eventualmente, membros dos órgãos partidários da concelhia do Partido Socialista do Cartaxo”. Para o vereador, “não foi a forma mais feliz de comunicar uma alteração na gestão da Câmara Municipal do Cartaxo”. Ainda a este propósito, Jorge Gaspar considera que teria sido “democraticamente cordial” os dois vereadores da oposição terem sabido dessa alteração pelo presidente, “na nossa qualidade de eleitos”.

Por outro lado, o vereador lamenta que “enquanto eleito pela coligação Juntos pela Mudança, a circunstância da avaliação política do trabalho da senhora vereadora ter sido fantástica, como foi aqui veiculado, e de podermos deixar de contar com a sua colaboração”. Jorge Gaspar considera ainda que, “por uma questão de legitimidade enquanto eleitos na Câmara Municipal”, os vereadores da oposição devem ter conhecimento das razões que levaram a esta retirada de pelouros. “Enquanto eleito local tenho tudo que ver com isso”, pedindo a Pedro Ribeiro que informasse quais foram as causas para esta decisão do presidente.

Para além do que já havia dito e que voltou a dizer, Pedro Ribeiro acrescentou apenas que “há matérias que pelo seu melindre pessoal ficam na reserva das equipas”.

Estou aqui a honrar os votos que deram ao PS neste mandato.
Elvira Tristão

Já Elvira Tristão, que iniciou a sua intervenção dando nota dos dois candelabros pendurados no teto do renovado Salão Nobre, onde decorreu a reunião, que são resultado da recuperação de quatro apliques do antigo Cineteatro Ribatejo, frisou: “estou aqui a honrar os votos que deram ao PS neste mandato, por isso continuarei a pugnar pelo cumprimento daquele que foi o programa eleitoral que deu o poder ao PS”, acrescentando que “o vice-presidente pode continuar a contar com o meu apoio”.

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