Pontével é vila há 30 anos

Celebra-se este domingo, dia 20 de junho, o 30º aniversário da elevação de Pontével a vila, uma conquista devida a um grupo de pontevelenses que levou em frente um desígnio da população e que este ano não poderá ser assinalada como se desejaria, devido à pandemia.

Para o atual presidente da Junta de Pontével, Jorge Pisca, esta é uma data que deve ser sempre lembrada, assim como deve ser mantida a sua essência, “não só para salvaguarda dos interesses e bem-estar da nossa população, mas também para proporcionar boas condições de acolhimento a quem nos visita e, também, para que possamos ter condições apelativas que conduzam à vontade de mais pessoas quererem vir a escolher esta terra para residir e trabalhar”.

Resumidamente, contamos-lhe algumas curiosidades desta conquista de há 30, através dos testemunhos de alguns dos intervenientes que, em finais de outubro de 1990, iniciavam o processo que havia de fazer Pontével uma vila. Vitorino Guerreiro Monteiro, José Ribeiro Brás e Anselmo Rocha queriam ver a elevação de Pontével a vila e apresentaram a proposta à Assembleia da República que, segundo a lei, havia de contactar a autarquia para que esta desse o seu parecer sobre tal projeto.

Segundo conta Anselmo Rocha em registo deixado para a posteridade, a junta de freguesia de Pontével avançava com o processo, mas a Câmara Municipal do Cartaxo não concordou, expressando isso mesmo em ofício para a junta de Pontével, que, segundo Anselmo Rocha, “cruzou os braços”.

Como tal, os primeiros proponentes avançaram, “com a coragem que o caso requeria, mas sempre no máximo segredo”, entregando o projeto aos grupos parlamentares da Assembleia da República, Assembleia Municipal, Câmara Municipal, Assembleia de Freguesia e Junta de Freguesia. Isto, numa altura em que se juntava a este grupo a historiadora Zelinda Pêgo, que ficou a cargo da parte histórica do projeto e que havia de ser, tal como a própria lembra, decisiva para a elevação de Pontével a vila. Na comemoração dos 25 anos desta efeméride, Zelinda Pêgo contou todo o desenrolar dos acontecimentos, lembrando que foi pelo conteúdo histórico da terra que se conseguiu dar a volta às divergências que, inicialmente, impossibilitavam a elevação da vila.

Segundo o documento assinado pelos quatro intervenientes diretos neste processo, depois dos decretos-lei dos grupos parlamentares com assento na Assembleia da República favoráveis à proposta, a Comissão de Administração do Território, Poder Local e Ambiente pediu um parecer às autarquias locais – freguesia e município –, cuja pouca celeridade na resposta e, como escrevia na Voz de Pontével, João da Silva Pimenta, “um grande desencontro de datas e diligências”, trouxe alguma “agitação”.

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A elevação de Pontével a vila havia de ser conseguida, a 20 de junho de 1991, não sem antes provocar algumas discussões na Junta de Freguesia e na Câmara Municipal, assim como numa sessão de Assembleia Municipal, onde também entrou o apoio de António Gabriel, Lúcio Ferreira, João da Silva Pimenta, António Pêgo, entre outros, alguns dos quais já anos antes falavam dessa “muito justa distinção”.

De recordar também que faz agora 32 anos da inauguração da nova sede da Junta de Freguesia de Pontével, no centro histórico da vila. Foi a 10 de junho de 1989 que foi inaugurada a atual sede, obra da responsabilidade da Câmara Municipal do Cartaxo, presidida na altura por Renato Campos que naquele dia entregou as chaves do edifício ao então presidente de junta, Fernando Manuel Duarte dos Santos.

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