Trabalhadores da ex-Impormol continuam sem receber indemnizações

Financeira apresentou proposta de compra dos bens móveis e do edifício por 1 milhão de euros

 

Foi há praticamente um ano, em 31 de maio de 2016, que os 180 trabalhadores da Frauenthal Automotive Azambuja, mais conhecida na região por Impormol, receberam a notícia de que a empresa iria avançar com o despedimento coletivo, com efeitos a partir desse mesmo dia.

Esta terça-feira, a Câmara do Cartaxo, que tem estado a acompanhar de perto a situação, promoveu mais uma ação de esclarecimento e informação aos trabalhadores, com o objetivo de os colocar a do andamento do processo de insolvência.

Sem ainda terem recebido as indemnizações a que têm direito, as muitas dezenas de trabalhadores presentes neste encontro ficaram a saber, pela voz do administrador de insolvência, Ademar Rodrigues Leite, que já se realizaram três leilões, tendo ficado por vender “alguns bens móveis, que ainda se encontram nas instalações, e o imóvel”. Nesta altura, o problema é que “havia um conjunto de máquinas, que nós considerávamos que eram leaseback e que queríamos anular esse negócio. O que é que foi feito? Nós reconhecíamos, logo à partida, os créditos reclamados pela Fiduciar relativamente a estas máquinas e resolvemos, em janeiro deste ano, o negócio”. Assim, existem dois processos em tribunal: um, em que a Fiduciar reclama como suas estas máquinas, e outro, colocado pelo administrador de insolvência, a reclamar as máquinas, “porque eles fizeram um negócio para lesar a empresa, lesar todos os credores”, explicou.

Agora, foi apresentada uma proposta, pela Fiduciar, de compra dos bens móveis ainda existentes por 100 mil euros (não as máquinas), e do edifício por 900 mil euros.

Representante da Comissão de Trabalhadores, Luís de Sousa (presidente da C.M. Azambuja) Pedro Ribeiro (presidente C.M. Cartaxo), Ademar Rodrigues Leite (administrador de insolvência) e Fernando Pina (Sindicato das Indústrias Transformadoras de Energia e Ambiente)
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Neste momento, o saldo bancário da insolvência ronda os 3 milhões e 500 mil euros, faltando receber da Frauenthal cerca de 208 mil euros. Os créditos reclamados pelos trabalhadores ultrapassam os 7 milhões e 500 mil de euros, “ou seja, vamos imaginar que era aceite um milhão de euros. Vocês, na prática, ficam com 4 milhões e 600 mil euros, para 7 milhões e 700 mil. Aqui dá uma percentagem do que vocês receberão, porque o Fundo de Garantia Salarial, se vos paga, depois vai aqui sub-rogar a parte que pagou”, esclareceu.

A despesa mensal da Frauenthal ronda os sete mil euros. Também por isso é necessário imprimir celeridade no processo, até porque o prazo dado para a venda do imóvel é até dia 15 de julho.

“O que é que eu acho da proposta deles? Dos bens móveis, encantado da vida, não arranjo ninguém a dar-me 100 mil euros, porque são aquelas peças pequeninas aos milhares. Ninguém quer milhares daquelas peças, porque em Portugal são para não sei quantos anos de camiões, levar daqui lá para fora custa, estar-se a dividir aquilo por lotes mais pequenos é um custo maluco”, adiantou o administrador de insolvência, considerando, no entanto, que “relativamente ao imóvel, eu acho que vale um bocadinho mais, não tenho a menor dúvida. Agora, o grande problema é ‘ou pegas ou largas’. Falam-me ‘ai, eu vou ter uma proposta’. Mas eu só sei quando tenho o papel”.

Segundo Ademar Rodrigues Leite, as indemnizações deverão ser pagas até final deste ano.

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