Não tentaram raptar, mas tentaram burlar

Em Pontével não houve tentativa de rapto, tal como alegadamente aconteceu no Cartaxo, mas precisamente no mesmo dia uma octogenária foi abordada, naquela freguesia, por dois indivíduos que lhe eram estranhos, mas se faziam passar por conhecidos, perseguindo-a de carro.

Foi a neta da octogenária que entrou em contacto com o Jornal de Cá, depois da notícia de que a GNR não tinha qualquer registo de tentativa de sequestro em Pontével, tal como teria sido sugerido nas redes sociais, após a denúncia de uma tentativa de rapto na cidade do Cartaxo, no passado sábado, 10 de abril.

Na situação ocorrida em Pontével, e relatada pela neta da idosa, no mesmo sábado, por volta das 10h da manhã, não houve tentativa de sequestro, nem chegou a existir qualquer contacto físico. Enquanto a octogenária fazia “a sua caminhada, na zona das Marotas”, surge um “carro azul”, do qual a senhora não recorda a marca, com dois homens de “trinta e tal anos”, que abrandaram a marcha e meteram conversa com ela. A abordagem foi amigável, mas a insistência com que um dos homens tentava convencê-la de que se conheciam – “então não me está a conhecer?! Não se lembra de mim?! Morei há uns anos cá em Pontével” –, sem que ela o conhecesse a ele ou ao condutor do carro, e respondendo sempre que não os conhecia, fez com que, algo assustada, apressasse o passo até uns prédios ali perto. Segundo nos conta a neta, que prefere manter o anonimato, o carro entretanto arrancou e seguiu o seu caminho.

Não foi apresentada qualquer denúncia desta ocorrência às autoridades. “Só ao fim do dia é que vimos a circular nas redes sociais a situação que aconteceu no Cartaxo, que foi exatamente no mesmo dia, com a descrição do indivíduo muito semelhante. Porém não houve tentativa de rapto, não houve qualquer tipo de tentativa de agressão, daí não ter sido apresentada qualquer queixa na polícia, porque muito possivelmente aos olhos de tal não teria qualquer fundamento para avançar”, refere a neta.

A denúncia deste e de outros casos que indiciam tentativas de burla deverá ser reportada às autoridades, ainda que o ato não tenha sido concretizado.

Serve este artigo como alerta e também para lembrar que sempre existiu este tipo de burla, dirigido a pessoas de mais idade, com hábitos antigos de guardar dinheiro em casa, assim como outros bens, nomeadamente ouros, e que uma das formas de atuar é idêntica a esta que aqui contamos. Tentar passar por antigo conhecido ou por um familiar distante é uma das maneiras de chegar à fala com as vítimas de burla, estabelecendo alguma confiança até conseguir chegar ao dinheiro e a outros objetos de valor.

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Esta é uma das vias de abordagem dos burlões, nomeadamente a pessoas de idade, de preferência que se encontrem em locais mais isolados ou sozinhas. Mas, tal como as forças de segurança vêm alertando há anos, há outras formas de entrar em casa das pessoas com outras intenções que não aquela que as leva a bater àquela porta ou a acompanhar alguém a casa, fazendo-se convidado a entrar.

Polícia alerta para risco de burla e fraude
Deixamos-lhe algumas indicações da Polícia de Segurança Pública (PSP) que poderá seguir, procurando aumentar a sua segurança contra burlas.

– não abrir a porta imediatamente quando a campainha toca;
– não abrir a porta ou partilhar dados pessoais com desconhecidos;
– ter uma especial atenção a falsos profissionais de saúde, que dizem disponibilizar serviços e/ou produtos ao domicílio, para despistagem e/ou tratamento do Covid-19;
– atenção a pessoas que alegam ser novas funcionárias de limpeza do condomínio, ou que se identifiquem como vendedores, funcionários de empresas de eletricidade ou de operadores telefónicas e/ou de televisão;
– aceitar apenas serviços que tenha solicitado previamente (água, luz, telefone, etc.);
– não comentar com ninguém relativamente a bens valiosos existentes em casa nem hábitos ou rotinas de família.
– ao sair do prédio, certificar-se sempre que a porta de acesso ao edifício fica devidamente fechada;
– contacte a polícia local caso verifique o aparecimento de marcas nas caixas de correio e campainhas;
– comunique às autoridades policiais qualquer situação suspeita de que se apercebe junto à sua residência ou à residência dos seus vizinhos;
– não divulgue nas redes sociais as suas rotinas diárias nem os seus períodos de ausência da sua casa;
– sempre que tiver suspeita, ligue imediatamente para o 112.

A PSP reforça o conselho de não abrir a porta a estranhos e, em case de dúvida, contactar de imediato a PSP (através da linha de emergência 112) ou a esquadra da polícia da sua área de residência.

Para além disso, a PSP alerta ainda que a tentativa de fraude ou burla contra pessoas de mais idade pode também ser cometida através do “correio, telemarketing, venda de remédios, viagens, donativos para ações de caridade, empréstimos e hipotecas, investimentos, reparações em casa ou no carro, prémios e sorteios, jogos de confiança ou ainda a pretexto da saúde, seguros de vida ou funeral”. Assim sendo, as autoridades de segurança pública aconselham as pessoas a estar bem informadas sobre as fraudes, esquemas e burlas mais comuns, de forma a evitar ser vítima deste tipo de crimes;
– assim como a não confiar em estranhos “bem-falantes” ou com aparentes boas intenções, nem fornecer informações pessoais que ajudem o “burlão” a concretizar a sua fraude;
– não permitir que uma conversa de “aparente relacionamento profissional” se transforme numa conversa sobre a sua vida pessoal;
– não acreditar em ajudas fáceis vindas de estranhos;
– não demonstrar estar sozinho, mesmo que não esteja ninguém em casa, chame por um familiar próximo. Isso afasta qualquer burlão;
– E, enquanto não receber o que lhe foi prometido, não enviar qualquer quantia de dinheiro, especialmente a alguém que não conhece.

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